Talvez Barack Obama entre para história também por ter inovado com o uso de mecanismos de redes sociais para uma maior aproximação do eleitor. Após ter criado a tendência, muitos políticos por aí (e por aqui) foram na onda, o que poderia ser uma ótima oportunidade para desacastelar a classe.
Poderia, do verbo não está sendo, por conta de algumas questões óbvias que parecem estar passando desapercebidas tanto para os excelentíssimos quanto para seus assessoríssimos.
O bacana da Internet, e de toda a parafernália construída a tomando por base, é uma combinação interessante de dois elementos: acesso fácil às pessoas e interação.
O acesso, salvo a leoníce chacriana de muitos assessores, melhorou com os Twitters e blogs das excelências. Há o que melhorar, deixando mais flúida a comunicação com o político, mas, para uma primeira etapa, acredito que foi uma melhora considerável com o velho paradigma do gabinete (quase sempre inacessível para 99% da população).
Mas, enquanto houve avanços consideráveis na acessibilidade, a interação continua uma grande desgraça. Isto, infelizmente, dá aos reclamões de plantão e ao outro lado da disputa política (seja ela situação ou oposição) munição de sobra para acusar as iniciativas de comunicação de puro modismo vazio. E, de certa forma, fica difícil discordar.
Os blogs e twitters são ferramentas que facilitam muito a conversa e o debate. Mas é preciso primeiro permitir as iniciativas – abrindo blogs a comentários - e depois alimentá-las – respondendo estes mesmos comentários, além de tweets e directs – para que a interação e o debate efetivamente ocorram.
Para não partidarizar o ponto, há semanas atrás tentei entrar em contato com o Senador em que votei para manifestar meu descontentamento quanto à posição que ele havia tomado quanto à tentativa de abertura de investigações no Conselho de Ética em que o Sen. José Sarney era acusado. Fui até o blog do tal Senador, deixei um comentário que nunca fora aprovado, simplesmente por ser uma manifestação legítima (e apartidária, diga-se), mas que expunha o Senador a um descontentamento de um de seus eleitores publicamente.
Aliás, publicamente é a palavra chave aí. Deixar as discussões abertas e vivas é uma forma de não só dar satisfação de sua atuação (princípio básico das formas de comunicação entre políticos e população), mas também de demonstrar interesse e respeito por eventuais opiniões contrárias.
É claro que há questões operacionais, como um “ataque” de opositores de uma forma coordenada e, possivelmente, destrutiva. Mas isto é algo que existe dentro ou fora da Internet. Quem, de vida pública, nunca foi alvo de uma roda, melhor ou pior organizada, de maus comentários? Faz parte do jogo e é bom mesmo que faça. Isto é o debate democrático, tão referenciado e ao mesmo tempo tão utópico.
No fim das contas, é a interação (que conta), senhor político!












