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Quando o normal vira hype 2: Vinil
Posted by Alisson Sellaro in Música, Tecnologia on 18 de November de 2009
Me lembro que quando voltava do shopping, se ainda fosse claro, eu escondia o discão no espaço – que à época existia – entre minha perna e o banco do motorista, o sr. meu pai. O receio maior do mundo inteiro era que o disco “empenasse”.
Algum pouco tempo depois, pois era e ainda sou garoto novo, o CD veio avassalador, com sua qualidade cristalina de som. Tá certo que não havia aquele simpático som da agulha passando por cima da poeira dos discos e que aquele som geralmente mais grave acabou dando o lugar a um médio-agudo mezzo irritante, mas legal pra cacete, dada a novidade.
Muitos de nós, e eu inclusive, putas não-tão-velhas para novidades, abandonamos os coitados dos vinís e começamos a preferir passar horas lendo os detalhes de como os discos eram produzidos, literatura fácil dos encartes da época. Aliás, eu me achava muito foda porque conseguia, via paitorcínio, alguns CDs DDDs a mais que meus amigos de colégio, que iam na linha dos AADs ou, no máximo, ADDs. Ê nostalgia…

O cão mais hype da história da música
Mas eis que os ciclos se fecham. E hoje, que nem o postal de ontem, vinil deixou de ser entulho e virou artigo de invejáveis e invejosos colecionadores. Quem diria? Dos lados de cá, existem feiras e mais feiras, lojas e mais lojas, das mais simples às mega-redes – aquelas negociadas na BM&F-BOVESPA – com um católogo de fazer qualquer RCA Victor tremer.
Hoje, com algumas doses e garrafas a mais de voo, vejo que fui um tonto de deixar para lá os meus discos (e os do meu pai) só por paixão tecnológica ou do novo. Os quase finados – por enquanto – CDs, as já maduras MP3s e os not so cool mas com qualidade excelente FLACs e Ogg Vorbis têm suas praticidades. Mas o vinilzão tem seu valor. Peso, graves, capas, processos de lavagem e história. Muita história.
Enquanto o ciclo roda, fico por aqui, com o iPod tocando o Revolver, dos Beatles. Aquele de 1969, com masterização mono, para ficar melhor na maioria esmagadora das vitrolas do fim da década de 1960 – aliás, VICTROLA e Victor, sabe? Aquele mesmo da RCA…
