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Zum – Fotografia e o Instituto Moreira Salles

Demorou, mas finalmente, entre uma reunião e outra viagem, consegui por as mãos e os olhos na Zum, a revista de fotografia do Instituto Moreira Salles.

A revista, semestral, foi lançada em outubro de 2011 e se propõe, como diz o seu editorial de estréia, a trazer “ensaios visuais inéditos ou oouco conhecidos, acompanhados de artigos, entrevistas e textos fundamentais da hisrtória da fotografia.”

A revista tem a qualidade editorial já típica das publicações do IMS, como a revista Serrote ou os Cadernos de Literatura e Cadernos de Fotografia. À frente da edição da Zum, está Thyago Nogueira, editor da Companhia das Letras e autor do livro Por trás daquela foto: contos e ensaios sobre fotografia (Companhia das Letras, 2011). Nas palavras do Thyago, em uma entrevista concedida ao Olhavê:

Na reunião de pauta, gostamos de dizer que a ZUM é uma revista contemporânea sobre a fotografia.  Isto é, uma revista que olha para a fotografia, qualquer que seja ela, de qualquer época, a partir de uma perspectiva atual, moderna, contemporânea, que abole as fronteiras, a segmentação, e que combina várias áreas do conhecimento na discussão. Também é uma grande preocupação da revista encomendar textos saborosos para acompanhar os ensaios fotográficos. Em certa medida, é uma revista de cultura visual.

Há muito de interessante o que ver na Zum, mas estranhamente o que mais me fascinou foi algo de ler: o ensaio O instante decisivo, de Henri Cartier-Bresson. Um texto simples e atualíssimo, apesar de seus já sessenta anos, de um fotógrafo que jamais será esquecido.

Recomendo a todos que gostam de fotografia e artes visuais. Espero ansioso já pelo número 2.

Mais informações, no blog do IMS.

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A arte perdida da leitura

Reading is an act of contemplation, perhaps the only act in which we allow ourselves to merge with the consciousness of another human being.

Este é um trecho do artigo The Lost Art of Reading, de David Ulin, publicado no Los Angeles Times. Neste artigo, Ulin usa de um argumento bem interessante para defender a sua tese de que estamos perdendo o jeito para leitura: estamos encurralados por um modo de viver que privilegia saber de tudo, on-line, e não deixar fluir um micronésimo de segundo sequer para nada além de ouivr o barulho de tudo.

Numa tradução livre do artigo, num trecho que vem logo antes do bloco que abriu este post: é como se não tivessemos a habilidade de deixar nossa mente repousar o suficiente para habitar a mente de outro, nem permitir que a mente deste outro habite nosso mundo.

A priori, o argumento pode parecer um tanto quanto o famoso mote do Twitter: corrão para as montanhas, numa neura anti-tecnológica vazia. Mas o fato é que Ulin tem muita razão quando fala que estamos migrando nossa atenção do pensar para o reagir. De transformar cada segundo em uma tag e atribuí-la a um porrilhão de fatos (muitos vazios).

Que fique por aqui, meio que como uma oração, a vontade de conseguir parar mais. De se deixar mais levar pelas histórias, boas ou ruins, mas nos seus tempos.

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