Archive for August, 2009
Projeto Prata da Casa
Posted by Alisson Sellaro in Música on 13 de August de 2009
E hoje começam as comemorações de 10 anos do Projeto Prata da Casa, no SESC Pompéia, aqui em São Paulo, com shows da Céu e Lucas Santtana.
As comemorações, que contam com a curadoria de críticos musicais como Mauro Dias, Carlos Calado, Israel do Vale, Lauro Lisboa Garcia, Carlos Bozzo Jr, Patrícia Palumbo, Pedro Alexandre Sanches (que tem um blog muito bom sobre música, aliás), incluem ainda:
- Vanguart e Cérebro Eletrônico
- Mariana Aydar e Rômulo Froes
- Berimbrown e Mombojó
- Renegado e Turbo Trio
- Quinteto em Branco e Preto e Fabiana Cozza
- Fernanda Porto e Fred Martins
- DonaZica e Curumin
- Quarteto Maogani, Marcus Tardelli e Gabriel Grossi
- Barbatuques e A Barca.
O Música Boa! traz mais informações sobre as comemorações. Espero conseguir trazer para vocês fotos do show da Céu e Lucas Santtana.
À Deriva X Chuva de Verão
Posted by Alisson Sellaro in Cinema on 12 de August de 2009
Fernanda Ezabella assina uma matéria publicada hoje na Folha de São Paulo que analisa as semelhanças entre o filme À Deriva (2009) e outro filme, neozelandês, Chuva de Verão (2001).
O lado-a-lado, quase um infográfico, publicado pela Folha dá a certeza da cópia deslavada feita por Heiotr Dalia, não fosse um pequeno, mas importante, detalhe: À Deriva é um filme que aborda uma problemática comum. Como disse o próprio Heirot Dhalia: “Não é um filme biográfico, mas foi um universo que eu vivi. Se a história é parecida com alguma outra, eu também não posso fazer nada.”
No fim das contas, mesmo se À Deriva for comprovadamente uma releitura, sua execução foi muito boa.
É, não existe uma estética homossexual
Posted by Alisson Sellaro in Leitura on 11 de August de 2009
A edição de agosto de 2009 da revista Bravo traz um ensaio interessante do José Castello com a seguinte pergunta-título: Existe uma estética homossexual? A análise é feita do ponto de vista literário e o ensaio acaba por concluir, assim como o título aqui, que não há esta estética única homossexual.
Ao analisar obras e autores tão diversos e dispersos, como O Pombo-Torcaz, do francês André Gide, os traços da personalidade de o irlandês Oscar Wilde, o americano William Burroughs em seu Almoço Nu, os franceses Marcel Proust, Arthur Rimbaud e Paul Verlaine, o brasileiro Lúcio Cardoso e o cubano Reinaldo Arenas, seria difícil chegar a um traço único estético que juntasse todas as obras.
Como afirma Castello, “preferir as relações com o mesmo sexo não define ninguém”. Se os autores não se restringem a um mesmo rótulo enquanto pessoa, que podemos dizer quanto às suas obras?
Fica a dica da leitura: Existe uma estética homossexual?
Movimentos estranhos
Posted by Alisson Sellaro in Política on 10 de August de 2009
Pensei muito se incluiria ou não por aqui uma categoria sobre política. Sei que o assunto é importante e bem fácil de conter várias coisas observáveis. Mas sei também que o negócio é chato pra caramba porque monotônico nos temas: corrupção-ineficiência-ética.
Depois de pensar um pouco sobre a questão, decidi pedir desculpas aos meus dois leitores (oi mãe!) e criar a bendita categoria. Vou tentar não observar publicamente muitas coisas nela, mas não posso prometer, mesmo porque as coisas da política pulam na sua frente com uma agilidade de Cirque du Soleil e, pelo menos pra mim, é bem difícil não observar.
Um exemplo: esta maré de baixaria que tem subido no Senado Federal, com discussões de “grande eloquencia” de Senadores como Tasso Jereissati e Renan Calheiros, com apoio do ilustríssimo Collor de Mello e Sanrney. Se a ideia era jogar uma pá de cal na opinião pública em relação ao Senado, parece que as excelências estão conseguindo e muito bem. Só os capítulos desta novela mexicana de mal gosto já seriam matéria-prima mais que suficiente para algumas caixas de cerveja e umas duas mil laudas de escritos.
Se levarmos em consideração também alguns movimentos esquisitos, que vêm junto da maré, feito alienígenas em medidas provisórias, a coisa fica ainda mais interessante de ser observada. Um bom exemplo que consigo citar é o editorial vinculado ontem, 9 de agosto, na Folha de São Paulo. Só o título do editorial já é de dar medo a qualquer ser humano que não seja do Tradição, Família e Propriedade: “Defesa nacional”.
Nesta bela peça editorial, a Folha de São Paulo dá sua opinião a respeito da necessidade de o Brasil equipar melhor suas Forças Armanadas para que possa assumir sua posição “cada vez mais relevante no cenário internacional”.
O texto é sofrível no que se refere à sustentação. Sua motivação é pra lá de questionável, e os argumentos que deveriam sustentá-la são, na melhor da hipóteses, contraditórios. Algo na linha: “não me enxe, senão te quebro as fuças”:
O país, que ganha projeção e candidata-se a assumir mais responsabilidades, precisa reunir condições de enfrentar os desafios inerentes a este papel, num século que já nasceu sob o signo de novos conflitos e riscos geopolíticos. A palavra chave a nortear as ações neste setor é dissuasão.
O editorial segue mencionando a dificuldade de estimar o tamanho dos orçamentos de outras nações similares ao Brasil (no contexto geopolítico?), expondo dados que apontam que o Brasil está em décimo segundo lugar, e ao mesmo tempo (novamente em contradição) afirmando:
Reconhecer a necessidade de reforçar o poder defensivo do país não significa um convite a aventuras. O Brasil não precisa e não deve estimular corridas armamentistas regionais ou despertar inquietações quanto ao uso de sua energia nuclear.
Com o Senado Federal tendo sua necessidade questionada pelos sucessivos escândalos, editoriais desta natureza: belicosa, armamentista e que evocam a defesa (seja da honra, da tradição, da propriedade ou da “soberania”), me preocupam e muito. Aliás, alguém já leu uma matéria dos jornalões a respeito da importância do Senado e da Câmara dos Deputados nos processos democráticos?
Não sei vocês, mas eu me preocupo com algumas argumentações vazias da grande imprensa e nos efeitos que esta repercussão pode ter numa sociedade que ainda não teve a ferida da ditadura cicratizada:
O Estado brasileiro já tem uma sólida, louvável e reconhecida tradição diplomática voltada para o entendimento e a solução pacífica de conflitos. É justamente para preservar este patrimônio que a defesa nacional, submetida aos devidos controles políticos e constitucionais, adquire papel mais rlevante.
O grifo no aposto acima é meu, OK?
Que a Folha nos explique, então, onde estão os devidos controles políticos e constitucionais nos infindáveis escândalos políticos que vêm assolando o Brasil desde… sempre. Aliás, é fácil subverter os controle políticos e constitucionais com qualquer joguete de palavras. Na mesma (rica) edição da Folha, agora não mais no editorial, mas em outro texto, Carlos Heitor Cony, acadêmico da ABL assim como o Senador Sanrney, fecha seu texto dizendo o seguinte:
A Comissão de Ética e mais tarde o plenário do Senado têm todos os elementos para punir culpados ou culpado. Atender o pedido de uma neta não é crime previsto no Código Penal de nenhum país regulado por leis e não por ressentimentos.
Como diria Regina Duarte: eu tenho muito mêdo.
Texto completo do editorial (apenas para assinantes da Folha de S. Paulo ou do UOL).
A fotografia de Saulo Castor
Posted by Alisson Sellaro in Fotografia on 7 de August de 2009
Há quem tenha uma necessidade quase que indescritível de viver arte. Consumir, olhar, sentir, ouvir, falar sobre e, eventualmente, jogar um pouco de confete e se dizer “artista”. Há também, aqueles que, de uma forma mais simples e comedida (discreta, talvez), simplesmente vão lá e produzem alguma coisa (e que jaimais seriam capazes de auto-rotular aquilo de “arte”).
Não sei, nem tenho pretensões para, dizer se alguma forma de expressão é ou não artística. Só sei que algumas coisas me deixam gostosamente embriagados por sua beleza ou, no outro extremo, levemente repelido por sua brutalidade. E, de um modo ou de outro, um destes extremos desperta em algum lugar uma percepção qualquer de sensibilidade. Ou, pelo menos, o reconhecimento que aquele resultado mexeu, de algum modo, comigo.
Saulo Castor está no grupo grupo dos discretos. E este é o único rótulo que eu consigo atribuir a ele. Embora ele goste declaradamente de várias manifestações do que se chame por ai de arte (de um bom tira-gosto de bares “pé sujos” até literatura, passando por música e cinema) foi a fotografia que ele escolheu como elemento de produção e é através da manipulação dela que, devagar, vão surgindo elementos de uma simplicidade tocante.
É fácil notar que o olhar do Saulo se vira para as pessoas. Algumas (poucas) vezes, ele olha para coisas. Mas é também fácil perceber que estas coisas quase sempre estão ligadas às pessoas, fechando um ciclo de um olhar que, talvez, “só” se volte para si e para os seus.
Há pessoas que confundem ser artistas com serem profissionais. Arte é, para mim, mais o poder de sugerir sentimentos que um rótulo de pró ou amador.
O trabalho de Saulo Castor pode ser visto no Deviant Art e em alguns corredores privilegiados
Serrote
Posted by Alisson Sellaro in Leitura on 6 de August de 2009
“O ensaio é um gênero sinuoso. Ele parece fácil, mas é um perigo. Um descuido – você rola abaixo em uma escada sem corrimão.”

Serrote 2
É assim que começa a carta dos editores da Serrote número 1, uma revista/livro de ensaios sobre atualidades e cultura. A publicação tem a chancela do Instituto Moreira Sales, com publicação quadrimestral (março, julho e novembro). O número 2 acaba de sair da prensa, incluindo ensaios de Antonio Candido, Enrique Vila-Matas e Groucho Marx.
Os assuntos são interessantes e não são exatamente fáceis de serem encontrados na grande mídia. De cinema a quadrinhos, de artes plásticas à literatura, passando por idéias e reflexões sobre temas como a digitalização de livros a uma análise do pouso na lua, que comemora alguns 40 anos (para deixar este texto datado). A abordagem dos ensaios é um outro atrativo, com textos mais longos e aprofundados. Além disso, tem sido praxe encontrar cadernos internos, com ilustrações e fotografias de artistas de escolas e épocas diversas.
O comitê editorial da revista é formado por Daniel Trench, Flávio Pinheiro, Mariana Lanari, Matinas Suzuki Jr., Rodrigo Lacerda e Samuel Titan Jr.
Alguns artigos da revista podem ser encontrados na íntegra no site. A distribuição é feita através de livrarias. Aqui em São Paulo, na Livraria Cultura e na loja do Instituto Moreia Sales. No Rio, a distribuição fica à cargo da Livraria da Travessa.
Impostos e música brasileira
Posted by Alisson Sellaro in Música on 5 de August de 2009
A Folha de São Paulo veiculou uma matéria, assinada por Marcus Preto, que dá conta de que hoje, 5 de agosto, será votada uma proposta de emenda constitucional (tudo em minúsculo, porque nosso poder legislativo merece). A proposta pretende reduzir a zero o IPI e parte do ICMS na cadeia de produção de discos de artistas e compositores brasileiros.
As gravadoras estão vendo na iniciativa uma possibilidade qualquer de interromper o processo (irreversível?) de agonia do setor nos moldes tradicionais. Alexandre Schiavo, da Sony Music, por exemplo, traça um paralelo entre a venda de livros (que goza de incentivo fiscal) e a música. Só erra de tom quando dá a entender que cultura e negócio são coisas diferentes.
À Deriva
Posted by Alisson Sellaro in Cinema on 4 de August de 2009
Dizem que Heitor Dhalia pôs os seu próprio olhar sobre um tema corriqueiro nos consultórios de psicanálise mundo afora: a separação dos pais e o impacto nos filhos. Se autobiográfico, não sei, mas dá para dizer sem medo que o olhar do filme é delicado nas suas muitas entrelinhas.
A fotografia do filme é um capítulo à parte. Búzios ajudou como set de filmagem, mas Ricardo Della Rosa é culpado, e muito, pelo resultado sensacional. Do posicionamento de câmera à iluminação, passando pelas (muitas) externas e subaquáticas, a fotografia conseguiu passar a tensão e a sutileza da trama de uma forma simples e muito bonita.
Laura Neiva, a jovem paulistana recém surgida, é outro destaque no filme. Puerilmente bonita, ela protagoniza o filme do alto dos seus 15 anos (quatorze na trama) e ajuda a compor a mistura de inocência, descoberta e sofrimento à medida que o relacionamento do seus pais se esfacela.
Em tempos de mídias mais dinâmicas, o filme tem um arsenal que inclui site oficial, blog, videocasts, fotos feitas pelo Alexandre Ermel e até o twitter da Laura Neiva.
Assistam que o ingresso é barato pela beleza e sutileza da história. E mantenham a percepção ligada durante todo o filme. Talvez você também perceba que para Dhalia, pias, pratos e ralos têm muito a dizer sobre as relações humanas.
Bem-vindos
Posted by Alisson Sellaro in Leitura on 3 de August de 2009
Opa. Chega aí.
Espero que você tenha uma cerveja à mão, ou qualquer outra coisa que te faça igualmente feliz. Estamos batendo o centro. Quer saber o por quê? Tem algumas desculpas esfarrapadas aqui.
Muito orbigado por ter vindo.




