Archive for category Música
Inteligência emocional, perspicácia e talento
Posted by Alisson Sellaro in Música on 24 de January de 2012
Há as pessoas emocionalmente inteligentes. Há as perspicazes. Há os talentosos. E há pessoas como Lukáš Kmi, que parece encarnar um pouco das três características.
Em um concerto em Prešov, Eslováquia, alguém da platéia comete uma gafe de manter o celular ligado, e…
Dapieve, literatura pop, ruivas e o Rio de Janeiro
Posted by Alisson Sellaro in Leitura, Música on 27 de November de 2009
De volta à tela do computador, Bernardinho tentou entender o que acabara de se passar. Era quinta-feira. Ele entregara o CD-R com as músicas do R.E.M. na segunda-feira de manhã. Cautelosamente, evitara travar novo contato com Adelaide, esperando que ela fizesse algum movimento. Nada. Sessenta horas inteiras sem nem um oi. Chegou a pensar que a carona houvesse esgotado tudo o que tinham para viver na vida um do outro. “dramático paca pô” E, como tantas outras mulheres na vida do homem médio, a garota do Leblon estivesse fadada a não ser fodida, fadada a desbotar na memória da bronha. Sem retorno, o tesão arrefece, mais cedo ou mais tarde. (Bem, mesmo com retorno também.) O pensamento de que tudo não passara de coisa alguma chegava a reconfortar Bernardinho. “ao menos o impulso de comê-la está mostrando que os sistemas estão funcionando”, pensara, na terça-feira à tarde ou na quarta-feira à noite. Então, sem mais nem menos, ela entra na sua sala e, diante de seus colegas de trabalho, demonstra uma intimidade que eles sequer imaginavam. Pior: uma intimidade passada que insinuava uma intimidade futura ainda meior. Melhor: uma intimidade passada que prometia uma intimidade futura ainda maior.
Este é um dos parágrafos do romance de estréia de Arthur Dapieve, “De cada amor tu herdarás só o cinismo”. O livro, de 2004, caiu nas minhas mãos por acaso, ao bisbilhotar uma pilha de livros desorganizados no apartamento de um grande amigo que sempre me hospeda quando tenho a sorte de ir ao Rio de Janeiro.
Apesar do título, trecho de O mundo é um moinho, uma das canções mais famosas de Cartola, o livro começa no fim do show do R.E.M. no Rock In Rio 3, dia 14 de janeiro de 2001, no fim de It’s the end of the world as we know it (and I feel fine) – que, aliás, realmente foi a última música do show real no dia 14/1/2001. O conflíto novo-fenômeno-revival-da-música-brasileira vs. rock-é-a-única-coisa-digna-no-mundo (eu ainda acho que os dois convivem lindamente) é mais um dos conflítos que temperam o relacionamento de Bernardinho, publicitário quarentão, e Adelaide, ninfetinha do Leblon, sua estagiária.
O livro é delicioso do início ao fim e vale cada centavo por ser uma visão bem humorada sobre relações (em diversos níveis e formas), música brasileira, música pop, auto-mazelice e as eternas buscas sem propósito que nós, gente, travamos dia a dia.
Dapieve, jornalista e colunista do Caderno 2 do O Globo desde que o mundo é mundo (calcula-se que isto seja desde 1993), tem dois livros sobre rock brasileiro e tem a veia pop nos temas e nas formas de escrever.
Divirtam-se.
Um que Tenha – nota rápida
Posted by Alisson Sellaro in Música on 19 de November de 2009
Só para constar o contra-ponto (meio tardio) do que falamos antes: o Um Que Tenha voltou. E voltou melhor. Com domínio próprio e uma pequena reformulação visual.
Fulanosicrano, bem vindo de volta!
Quando o normal vira hype 2: Vinil
Posted by Alisson Sellaro in Música, Tecnologia on 18 de November de 2009
Me lembro que quando voltava do shopping, se ainda fosse claro, eu escondia o discão no espaço – que à época existia – entre minha perna e o banco do motorista, o sr. meu pai. O receio maior do mundo inteiro era que o disco “empenasse”.
Algum pouco tempo depois, pois era e ainda sou garoto novo, o CD veio avassalador, com sua qualidade cristalina de som. Tá certo que não havia aquele simpático som da agulha passando por cima da poeira dos discos e que aquele som geralmente mais grave acabou dando o lugar a um médio-agudo mezzo irritante, mas legal pra cacete, dada a novidade.
Muitos de nós, e eu inclusive, putas não-tão-velhas para novidades, abandonamos os coitados dos vinís e começamos a preferir passar horas lendo os detalhes de como os discos eram produzidos, literatura fácil dos encartes da época. Aliás, eu me achava muito foda porque conseguia, via paitorcínio, alguns CDs DDDs a mais que meus amigos de colégio, que iam na linha dos AADs ou, no máximo, ADDs. Ê nostalgia…

O cão mais hype da história da música
Mas eis que os ciclos se fecham. E hoje, que nem o postal de ontem, vinil deixou de ser entulho e virou artigo de invejáveis e invejosos colecionadores. Quem diria? Dos lados de cá, existem feiras e mais feiras, lojas e mais lojas, das mais simples às mega-redes – aquelas negociadas na BM&F-BOVESPA – com um católogo de fazer qualquer RCA Victor tremer.
Hoje, com algumas doses e garrafas a mais de voo, vejo que fui um tonto de deixar para lá os meus discos (e os do meu pai) só por paixão tecnológica ou do novo. Os quase finados – por enquanto – CDs, as já maduras MP3s e os not so cool mas com qualidade excelente FLACs e Ogg Vorbis têm suas praticidades. Mas o vinilzão tem seu valor. Peso, graves, capas, processos de lavagem e história. Muita história.
Enquanto o ciclo roda, fico por aqui, com o iPod tocando o Revolver, dos Beatles. Aquele de 1969, com masterização mono, para ficar melhor na maioria esmagadora das vitrolas do fim da década de 1960 – aliás, VICTROLA e Victor, sabe? Aquele mesmo da RCA…
Samba da Vela
Posted by Alisson Sellaro in Música on 16 de November de 2009
É quase uma instituição do samba paulistano. Sempre às segundas-feiras, a comunidade do Samba da Vela se reúne com o propósito pra lá de nobre de manter acesa a chama do samba, cultuando os grandes do passado, sem perder o olho no futuro.
A partir das 20:30, na Casa de Cultura de Santo Amaro, a comunidade monta a roda para que os que desejarem apresentem seus sambas. Da própria comunidade, surgem os papéis com letras. Os rápidos repasses de tons ou os universais lá-rá-rás e já foi. Se o samba agradar à roda, em poucos segundos os cantares tímidos viram palmas cadenciadas e um coro que arrepia até os mais céticos.
A comunidade da vela segue noite adentro entoando os sambas até que a vela, rainha absoluta no centro da mesa, se apaga. Neste momento, o samba termina e a roda se despede sempre cantando A Comunidade Chora (já rolou o vídeo da música por aqui antes)
Em 2010, a comunidade completa 10 anos de um projeto de sucesso. Já existe um caderno com os sambas escolhidos pela comunidade publicado e foi gravado um disco com 20 destas composições (Um Que Tenha…).
Para quem está em São Paulo em qualquer segunda-feira do ano, não deixem de ver. É uma experiência pra lá de bacana pra quem gosta de música. Para os que não estão por aqui, fica o documentário feito pela 13 Produções, em 2007, que mostra um pouco do clima da roda.
Arte e o ego – ou o fim do Oasis
Posted by Alisson Sellaro in Música on 1 de September de 2009
Não é difícil ouvir histórias e mais histórias sobre o ego inflado de alguns artistas. Deve haver, em algum lugar enterrado no meio das nossas entranhas, algo que una muito fortemente a beleza, a expressão e os egos inflamados. É como se produzir algo bonito (ou marcante em algum sentido) de um ou outro modo credenciasse o artista como autoridade.
Não faço julgamento de valor quanto a isto. Cada um sabe – ou deveria saber – da beleza e dos processos de sua produção. Mesmo porque vários dos artistas rotulados aqui e ali de difíceis têm uma produção que não seduz muita gente, ao mesmo tempo em quem carismáticos de carteirinha movem multidões. Se a regra é de que é preciso ser bom para ser um pé no saco, há muita gente equivocada no mundo das artes. Em ambos os sentidos.
Mas o fato, depois de tanta digressão, é que na última sexta-feira, Noel Gallagher de uma pequena e marcante declaração no blog do Oasis: não passaria uma noite mais trabalhando com o irmão, Liam, o dificinho da Estrela (com direito a verbete na Desciclopédia). A New Musical Express noticiou que a causa da saída de Noel teria sido um arranca-rabo com o irmão após um show em Paris.
Depois de oito álbuns e quinze anos de estrada, este pode ser o desfecho de uma banda que incorporou em sua formação a famosa técnica do good cop/bad cop nas figuras dos irmãos Noel e Liam, respectivamente.
I don’t know why you say goodbye, I say hello
Um Que Tenha não está mais entre nós
Posted by Alisson Sellaro in Música on 25 de August de 2009
É triste, mas o Um Que Tenha, um dos ícones dos MP3 blogs de boa música brasileira, saiu do ar. A notícia ressoou Internet afora por volta do dia 20 deste mês, e foi confirmada no Twitter pelo Fulanosicrano, pseudônimo do mantenedor do blog.

Um Que Tenha morreu
A reação dos muitos seguidores do Um Que Tenha foi rápida, rapidíssima. Usando das artimanhas do cache do Google, criaram o Um Que Tenha Resiste, que basicamente usa a memória do Google como fonte para os discos que tinham sido disponibilizados pelo Fulanosicrano. Além disso, o próprio Fulanosicrano continua na ativa, indicando discos e mais discos via Twitter, além de ter prometido por lá que o Um Que Tenha vai voltar, e em grande estilo.
A retirada do site do ar também traz para a discussão algumas questões relativas à cansada indústria fonográfica e os direitos autorais. Embora, admito, alguns discos vinculados no Um Que Tenha sejam novos e facilmente encontrados no mercado, grande parte das obras lá publicadas estão fora de catálogo a anos e, mesmo que alguém sinceramente quisesse, não conseguiria mais adquirir o disco no mercado formal.
O argumento, apesar de culturalmente forte, é juridicamente muito fraco. Ainda assim, o debate é válido: até que ponto questões menores, como o interesse comercial de gravadoras ou a aceitação do grande mercado podem influenciar no acesso a manifestações artísticas legítimas, muitas delas fortemente ligadas à identidade do Brasil enquanto nação?
Jurista, que não sou e observador desinteressado e desinteressante, que sou, deixo a discussão para os que têm condições de se aprofudarem mais. Enquanto isso, como pediu o Fulanosicrano, “nada de luto. Eu quero é festa”. Mais ou menos como diria pessoal do Samba da Vela, em A comunidade chora:
Céu no Prata da Casa – 10 anos
Posted by Alisson Sellaro in Fotografia, Música on 18 de August de 2009
Algumas poucas fotos do show da Céu, de 13 de agosto, no SESC Pompéia, em comemoração aos 10 anos do projeto Prata da Casa.
Outras fotos serão publicadas no Flickr.
Músicas novas, dicas da BBC Radio 1
Posted by Alisson Sellaro in Música on 17 de August de 2009
A BBC tem várias rádios lá pelas bandas do Reino Unido. Uma delas, a BBC Radio 1, tem sua programação 100% voltada para música.
Quem curte o cenário musical britânico talvez vá gostar de um podcast interessante chamado Radio 1 Introducing. Este podcast é o programa semanal de Huw Stephens, e traz algumas das novidades musicais de lá que vão do hip-hop ao indie rock. Muita coisa boa que ainda vai trilhar seu caminho pelas pistas até chegar, quem sabe, por estas bandas. Vale a pena conferir.
Mais informações sobre o podcast. O feed para assinar o podcast, aqui.
Projeto Prata da Casa
Posted by Alisson Sellaro in Música on 13 de August de 2009
E hoje começam as comemorações de 10 anos do Projeto Prata da Casa, no SESC Pompéia, aqui em São Paulo, com shows da Céu e Lucas Santtana.
As comemorações, que contam com a curadoria de críticos musicais como Mauro Dias, Carlos Calado, Israel do Vale, Lauro Lisboa Garcia, Carlos Bozzo Jr, Patrícia Palumbo, Pedro Alexandre Sanches (que tem um blog muito bom sobre música, aliás), incluem ainda:
- Vanguart e Cérebro Eletrônico
- Mariana Aydar e Rômulo Froes
- Berimbrown e Mombojó
- Renegado e Turbo Trio
- Quinteto em Branco e Preto e Fabiana Cozza
- Fernanda Porto e Fred Martins
- DonaZica e Curumin
- Quarteto Maogani, Marcus Tardelli e Gabriel Grossi
- Barbatuques e A Barca.
O Música Boa! traz mais informações sobre as comemorações. Espero conseguir trazer para vocês fotos do show da Céu e Lucas Santtana.






