A fotografia de Saulo Castor


Há quem tenha uma necessidade quase que indescritível de viver arte. Consumir, olhar, sentir, ouvir, falar sobre e, eventualmente, jogar um pouco de confete e se dizer “artista”. Há também, aqueles que, de uma forma mais simples e comedida (discreta, talvez), simplesmente vão lá e produzem alguma coisa (e que jaimais seriam capazes de auto-rotular aquilo de “arte”).

Não sei, nem tenho pretensões para, dizer se alguma forma de expressão é ou não artística. Só sei que algumas coisas me deixam gostosamente embriagados por sua beleza ou, no outro extremo, levemente repelido por sua brutalidade. E, de um modo ou de outro, um destes extremos desperta em algum lugar uma percepção qualquer de sensibilidade. Ou, pelo menos, o reconhecimento que aquele resultado mexeu, de algum modo, comigo.

Mangrove Tree

Mangrove Tree

Saulo Castor está no grupo grupo dos discretos. E este é o único rótulo que eu consigo atribuir a ele. Embora ele goste declaradamente de várias manifestações do que se chame por ai de arte (de um bom tira-gosto de bares “pé sujos” até literatura, passando por música e cinema) foi a fotografia que ele escolheu como elemento de produção e é através da manipulação dela que, devagar, vão surgindo elementos de uma simplicidade tocante.

Festa Junina

Festa Junina

É fácil notar que o olhar do Saulo se vira para as pessoas. Algumas (poucas) vezes, ele olha para coisas. Mas é também fácil perceber que estas coisas quase sempre estão ligadas às pessoas, fechando um ciclo de um olhar que, talvez, “só” se volte para si e para os seus.

Há pessoas que confundem ser artistas com serem profissionais. Arte é, para mim, mais o poder de sugerir sentimentos que um rótulo de pró ou amador.

Phantasmagoria

Phantasmagoria

O trabalho de Saulo Castor pode ser visto no Deviant Art e em alguns corredores privilegiados :)

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