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Quando o normal vira hype 2: Vinil

Me lembro que quando voltava do shopping, se ainda fosse claro, eu escondia o discão no espaço – que à época existia – entre minha perna e o banco do motorista, o sr. meu pai. O receio maior do mundo inteiro era que o disco “empenasse”.

Algum pouco tempo depois, pois era e ainda sou garoto novo, o CD veio avassalador, com sua qualidade cristalina de som. Tá certo que não havia aquele simpático som da agulha passando por cima da poeira dos discos e que aquele som geralmente mais grave acabou dando o lugar a um médio-agudo mezzo irritante, mas legal pra cacete, dada a novidade.

Muitos de nós, e eu inclusive, putas não-tão-velhas para novidades, abandonamos os coitados dos vinís e começamos a preferir passar horas lendo os detalhes de como os discos eram produzidos, literatura fácil dos encartes da época. Aliás, eu me achava muito foda porque conseguia, via paitorcínio, alguns CDs DDDs a mais que meus amigos de colégio, que iam na linha dos AADs ou, no máximo, ADDs. Ê nostalgia…

RCA Victor

O cão mais hype da história da música

Mas eis que os ciclos se fecham. E hoje, que nem o postal de ontem, vinil deixou de ser entulho e virou artigo de invejáveis e invejosos colecionadores. Quem diria? Dos lados de cá, existem feiras e mais feiras, lojas e mais lojas, das mais simples às mega-redes – aquelas negociadas na BM&F-BOVESPA – com um católogo de fazer qualquer RCA Victor tremer.

Hoje, com algumas doses e garrafas a mais de voo, vejo que fui um tonto de deixar para lá os meus discos (e os do meu pai) só por paixão tecnológica ou do novo. Os quase finados – por enquanto – CDs, as já maduras MP3s e os not so cool mas com qualidade excelente FLACs e Ogg Vorbis têm suas praticidades. Mas o vinilzão tem seu valor. Peso, graves, capas, processos de lavagem e história. Muita história.

Enquanto o ciclo roda, fico por aqui, com o iPod tocando o Revolver, dos Beatles. Aquele de 1969, com masterização mono, para ficar melhor na maioria esmagadora das vitrolas do fim da década de 1960 – aliás, VICTROLA e Victor, sabe? Aquele mesmo da RCA…

Posted in Música, Tecnologia.

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3 Responses

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  1. Germano Vale Filho says

    Ainda tenho muitos dos meus vinis. Conservei-os – bem ou mal – muito mais pelos sentimentos, pelas recordações agregadas a cada um daqueles bolachões. Confesso: a qualidade do áudio nunca significou, para mim, na mesma proporção que o valor emocional das obras musicais. Claro que se torna um diferencial a qualidade ue a mídia proporciona – também muito me vangloriei dos CDs DDD que tinha a sorte de conseguir, bem como os importados -, mas o fato é que toda vida que ouço Domino Dancing, dos Pet Shop Boys, sinto-me de novo nas férias de 1988, antes das aulas da 4ª Série, indo ao Romcy comprar aquele vinil que tanto ouvia… Mesmo que tenha comprado depois o mesmo álbum em CD duas vezes – uma na Gabriela do Iguatemi (anos depois dado de presente ao Marquinhos) e outra na Amazon. Os vinis não me trazem saudades do som, mas sim da história por trás de cada um. Bom recordar tudo isso com tuas palavras… :)

  2. camila says

    segmentação!

  3. Kastor says

    Direto, simples e verdadeiro. Como sempre.



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