Se você parar pra pensar bem, entre uma cerveja e outra num bar qualquer da cidade – qualquer que seja a sua – as cidades são grandes pavilhões de exposição. Da beleza mais singela à mazela mais gritante, as cidades são enormes potes com gente dentro. E gente é um troço metido a fazer-destruir-refazer.
Por mais superficial que seja esta filosofia de botequim – Deus abençoe as Brioscas! – a inquietação das pessoas tem consequências. Se boas ou más, aí depende. Ou, como se dizia por aí: vareia (sic para mim mesmo).
A história é que dia desses andava vendo livros sobre arte de rua e me deparei com uma peça interessante. Um livo de tijolinhos brancos, com um stencil que ilustrava um jovem ativista – daqueles que não se separam de um boné (indefectivelmente virado para trás) – arremessando um… buquê de flores.
Olhando mais de perto, o livro é cheio de uma irreverência nos seus textos e imagens. De um manifesto simples, daqueles que não se leva muito a sério, o autor compunha:
Some people become cops because they want to make the world a better place. Some people become vandals because they want to make the world a better looking place.
O tal livro é o Wall and Piece, do artista plástico e intervetor urbano britânico Banksy, que além de fazer arte cheia de mensagens políticas e humanas, ainda consegue realizar a proeza de ser um quase anônimo num mundo conectado que transformou George Orwell e seu 1984 em uma quase ingenuidade.
Bem humorado e ácido, pouco se sabe de Banksy, além do fato dele ser inglês, provavelmente de Bristol e ter nascido em meados da década de 1970. Começou sua expressão nas cidades por volta de 1992 (ou 1994?) com o grafite. Depois de uma péssima experiência, em que teve de ficar escondido por mais de uma hora embaixo de um caminhão abandonado e pingando óleo para fugir da polícia, Banksy decidiu aprimorar sua técnica através de stencils. Segundo ele próprio:
As I lay there listening to the cops on the tracks I realised I had to cut my painting time time in half or give up altogether. I was starting straight up at the stencilled plate on the bottom of a fuel tank when I realised I could just copy that style and make each letter three feet high. I got home at last and crawled into bed next to my girlfriend. I told her I’d had an epiphany that night and she told me to stop taking that drug ‘cos it’s bad for your heart
Algumas intervenções também fazem parte do trabalho de Banksy. De frases pintadas em animais até as simpáticas cabines telefônicas de Nova Iorque, Tudo parece virar meio e inspiração para mostrar que há muita coisa fora do lugar. E que a hipocrisia continua sendo o traço mais marcante do ser humano. Dentro ou fora das cidades.





“Mind the crap! foi a melhor!!! kkkkkk
Bjim, Sellaro! ;*
Não precisa ir muito longe pra se falar dos exemplos de arte de rua.
Escrevi sobre isso há um tempinho: http://showbusiness.esdrasbeleza.com/2008/01/23/the-guerilla-art-kit/
Além do exemplo que citei dos grafiteiros de SP, tenho começado a perceber desenhos interessantes surgindo pelas ruas de Fortaleza. Sabe aquelas caixas cinzentas de telefone, energia, sei lá pra que servem? Algum(ns) artista(s) interessado(s) tem feito uns desenhos legais nelas, e chamado atenção pra como o cenário urbano pode ser menos frio e cinzento.
Boa coisa tu ter reativado isso aqui. O texto tá ótimo.
Depois põe um link praquela exposição “oficial” dele, vale a pena.
Keep it up.
Ah, outra coisa: eu também acho que o Huxley acertou mais.
http://www.recombinantrecords.net/docs/2009-05-Amusing-Ourselves-to-Death.html