Inteligência emocional, perspicácia e talento
Posted by Alisson Sellaro in Música on 24 de January de 2012
Há as pessoas emocionalmente inteligentes. Há as perspicazes. Há os talentosos. E há pessoas como Lukáš Kmi, que parece encarnar um pouco das três características.
Em um concerto em Prešov, Eslováquia, alguém da platéia comete uma gafe de manter o celular ligado, e…
Senso de urgência
Posted by Alisson Sellaro in Produtividade on 19 de January de 2012
Tem um ditado inglês que fala que “é mais fácil guiar um objeto em movimento”. Posso dizer que eu tento sempre ter isto em mente na minha vida. É melhor uma decisão, mesmo que errada, que decisão nenhuma. Ou como um ex-diretor meu costumava dizer: “se você não decide logo, a vida vai lá e decide por você”.
Estes aspectos de ação vs. (eterna) contemplação (há quem chame de paralisia decisória) é o núcleo da questão do senso de urgência. Infelizmente, uma característica em absoluta falta nos profissionais e na mentalidade de nós, brasileiros.
Ontem me deparei com um artigo do Michael Hyatt, Creating a sense of urgency, que fala de uma forma muito simples sobre esta questão. Recomendo bastante a leitura.
Zum – Fotografia e o Instituto Moreira Salles
Posted by Alisson Sellaro in Fotografia, Leitura on 13 de January de 2012
Demorou, mas finalmente, entre uma reunião e outra viagem, consegui por as mãos e os olhos na Zum, a revista de fotografia do Instituto Moreira Salles.
A revista, semestral, foi lançada em outubro de 2011 e se propõe, como diz o seu editorial de estréia, a trazer “ensaios visuais inéditos ou oouco conhecidos, acompanhados de artigos, entrevistas e textos fundamentais da hisrtória da fotografia.”
A revista tem a qualidade editorial já típica das publicações do IMS, como a revista Serrote ou os Cadernos de Literatura e Cadernos de Fotografia. À frente da edição da Zum, está Thyago Nogueira, editor da Companhia das Letras e autor do livro Por trás daquela foto: contos e ensaios sobre fotografia (Companhia das Letras, 2011). Nas palavras do Thyago, em uma entrevista concedida ao Olhavê:
Na reunião de pauta, gostamos de dizer que a ZUM é uma revista contemporânea sobre a fotografia. Isto é, uma revista que olha para a fotografia, qualquer que seja ela, de qualquer época, a partir de uma perspectiva atual, moderna, contemporânea, que abole as fronteiras, a segmentação, e que combina várias áreas do conhecimento na discussão. Também é uma grande preocupação da revista encomendar textos saborosos para acompanhar os ensaios fotográficos. Em certa medida, é uma revista de cultura visual.
Há muito de interessante o que ver na Zum, mas estranhamente o que mais me fascinou foi algo de ler: o ensaio O instante decisivo, de Henri Cartier-Bresson. Um texto simples e atualíssimo, apesar de seus já sessenta anos, de um fotógrafo que jamais será esquecido.
Recomendo a todos que gostam de fotografia e artes visuais. Espero ansioso já pelo número 2.
Mais informações, no blog do IMS.
A elite sem sono
Posted by Alisson Sellaro in Produtividade on 12 de January de 2012
Esbarrei há pouco com um artigo do Wall Street Journal chamado The Sleepless Elite. Noves fora zero e a questão da onipresente cafeína, conheço umas duas ou três pessoas que se encaixam bem na definição do grupo.
Melinda Beck explains why for a small number of people getting a full night of sleep is a waste of time and the reasons behind it. For a small group of people—perhaps just 1% to 3% of the population—sleep is a waste of time.
Um ano nada sabático
Posted by Alisson Sellaro in Leitura, Política on 5 de January de 2012
Faz quase um ano que não dou as caras por aqui. Acredito que isto signifique algo importante no que diz respeito às minhas prioridades, assim como meu retorno, logo agora, também tenha seu significado.
No rol das coisas a escrever, algumas impressões sobre dois livros que falam de momentos da história recente da América Latina.
Prometo, em breve, falar sobre A Sombra do Ditador, de Heraldo Muñoz, e Privataria Tucana, do Amaury Riveiro Jr.
Inundações no Rio de Janeiro
Posted by Alisson Sellaro in Uncategorized on 14 de January de 2011
Recebi de uma grande amiga bióloga que trabalha na UFRJ as informações abaixo para quem quiser ajudar as vítimas das inundações no estado do Rio de Janeiro:
Doações, como alimentos, roupas, cobertores, colchonetes e itens de higiene pessoal – como sabonete, pasta de dentes, fralda descartável e absorvente higiênico, podem ser entregues no Ginásio Pedrão (Rua Tenente Luiz Meirelles, 211 – Várzea), ou na Secretaria de Meio Ambiente e Defesa Civil, Rua Rui Barbosa, nº 170, Várzea, Teresópolis, CEP: 25.963-090. Junte um grupo de amigos e envie pelo correio ou busque a defesa civil/corpo de bombeiros mais próximo de sua moradia e entregue a doação endereçando à Teresópolis.
Além disso, a Prefeitura de Teresópolis está disponibilizando, uma conta corrente no Banco do Brasil para receber doações e ajudar as famílias atingidas pelo temporal. Com o nome “SOS Teresópolis – Donativos”, a conta corrente está disponível na Agência 0741 do Banco do Brasil, com o número 110000-9.
O Hemorio, que que distribui sangue para cerca de 180 unidades públicas de saúde, está com uma equipe de plantão para que todo o sangue doado seja processado e enviado o mais urgente possível. Para ser um candidato à doação, o voluntário deve ter entre 18 e 65 anos, pesar mais de 50 quilos, estar bem de saúde e trazer um documento oficial de identidade com foto.
O hemocentro fica na Rua Frei Caneca, 08 – Centro, e funciona das 7h às 18h, todos os dias, inclusive aos sábados, domingos e feriados. Mais informações podem ser obtidas através do Disque-Sangue (0800-282 0708), que esclarece dúvidas e agenda o horário de doação no Hemorio com hora marcada.
A Cruz Vermelha deixou o Departamento de socorros e Desastres em um plantão na sede, localizada na Praça Cruz Vermelha 10, no Centro, para receber água mineral, alimentos de pronto consumo (massas e sopas desidratadas, biscoitos, cereais), leite em pó, colchões, roupa de cama e de banho e cobertores, para atender à Região Serrana. A entidade abriu uma conta para receber doações em dinheiro (Banco Real Ag. 0201 c/c 1793928-5).
O Grupo Pão de Açúcar montou postos de coleta em todas as 100 lojas das redes Pão de Açúcar, ABC CompreBem, Sendas, Extra Supermercado e Hipermercados e Assaí em todo o estado para que os clientes possam cooperar com doações de alimentos não perecíveis, roupas e cobertores. A ação acontece até o dia 26 de janeiro. Todo material arrecadado será levado às regiões afetadas por meio do sistema logístico do Grupo.
De acordo com informações da Concer, as praças de pedágio da BR-040 situadas em Duque de Caxias (km 104), Areal (km 45) e Simão Pereira (km 816), além da sede da empresa (km 110/JF, em Caxias) funcionarão a partir desta semana como postos de arrecadação de doações para os desabrigados. A Concer pede que sejam doados, preferencialmente, água mineral, produtos de higiene pessoal e de limpeza, roupas de cama, mesa e banho, além de colchonetes. Nas praças de pedágio, as doações podem ser entregues nos postos do Serviço de Informação ao Usuário da rodovia, que funcionam de segunda a segunda, 24 horas por dia.
A Folha e a tatuagem da Falha
Posted by Alisson Sellaro in Leitura on 4 de January de 2011
A edição de 4 de janeiro de 2011 da Folha de São Paulo trouxe, em sua primeira página, o seguinte destaque: “Mulher de Temer tatuou nome do marido na nuca”. A nota traz duas fotos de Marcela Temer. Uma de costas, e outra com o detalhe do pescoço, mostrando uma tatuagem.
Sem querer pagar de politizado, ou muito menos de chato de plantão, decidi cancelar minha assinatura da Folha e escrever o texto abaixo para a Ombudsman do jornal, Suzana Singer.
Acho que vale o esforço de não se calar quando bobagens desta natureza são vendidas para nós como um retrato fiel da sociedade brasileira. Somos melhores do que isto, gente.
Suzana
Domingo passado o seu espaço no jornal foi utilizado para relatar as ações no intuito de ouvir os leitores/assinantes que não costumam procurar o Ombudsman. Até antes das eleições presidenciais recentes, eu me enquadrava nesta categoria. Nas eleições, entretanto, recorri a você sobre a atuação da Folha que, se dizendo isenta, tomava todos e mais alguns partidos. Você, aliás, respondeu prontamente, dizendo estar abordando a cobertura das eleições na crítica interna e que escreveria sobre o assunto no domingo seguinte. Justiça seja feita, houve algumas adequações na abordagem da cobertura eleitoral.
Pois bem, recorro novamente a você, enquanto ouvidora da Folha, para perguntar o que está causando tamanha nova degradação da qualidade editorial deste jornal. Explico: na edição de hoje, fiquei completamente estarrecido com o fato de que há espaço na primeira página de um dos (ou talvez “o”) jornais mais importantes do país para o fato da Sra. Marcela Temer ter tatuado no pescoço o nome do marido.
Temos um novo presidente, novos governadores e parlamentares. Temos uma importante questão da agenda de relações internacionais e direito constitucional com o caso Cesare Battisti. Temos novos mandatos no executivo estadual e no parlamento americano. Na seara econômica, temos o fechamento dos indicadores de inflação no Brasil e os alinhamentos de transição nos cargos executivos do Banco Central, a inclusão da Estônia na Comunidade Européia. Temos todo o planejamento para os jogos olímpicos e a copa do mundo, que necessitaram de monstruosas somas de dinheiro público. Enfim, assuntos são tantos que não consigo imaginar algo menos relevante no atual contexto dentro e fora do país do que a tatuagem da Sra. Temer (que, aliás, continua em outra nota na página A7, no caderno Poder, que trata de… política!)
Na minha sincera opinião, é sim função da comunicação social retratar a sociedade. Ao mesmo tempo, entretanto, também é função, principalmente do jornalismo, questionar situações e costumes anacrônicos e descabidos. O que pretende a Folha, então, ao dar espaço valioso de sua primeira página à tatuagem da vice-primeira dama? Será que este tipo de postura editorial não dá sobrevida a costumes tão repugnantes como o machismo que ronda a sociedade brasileira há séculos? Será que não seria mais adequado este tipo de matéria a revistas “especializadas” em badalações, celebridades e fofocas, ao invés de ocupar espaço da primeira página de jornais de importância nacional? Será que este tipo de “matéria” não fomenta, indireta e sorrateiramente, uma mensagem de que a “ninfeta” foi “fisgada” por (ou fisgou) o “velhote importante e endinheirado”?
A julgar pelos sucessivos equívocos editoriais da Folha, não me surpreenderia encontrar como manchete algo do tipo: “Denúncia: Marcela Temer admite ter mantido relações sexuais com o vice-presidente” com direito ao característico grifo à lá Folha e o lide “Marcela Temer, 23 anos, atual esposa do vice-presidente Michel Temer, 70 anos, admite ter mantido relações sexuais pré-nupciais, apesar da estratosférica diferença de idade entre eles.” e segue “Gerente de motel da região de Campinas afirma ter recebido em seu estabelecimento pelo menos 10 visitas do casal entre os meses de janeiro e março de 2007″.
É a ideia que a Folha, que travou recentes litígios por conta de sua marca, quer passar para seus leitores? A continuar nesta linha, “Falha” de S. Paulo vai deixar de ser um antigo litígio para se tornar, de fato, uma marca registrada. Oficialmente ou não.
Um abraço e parabéns pelo excelente trabalho à frente da ouvidoria.
Do, agora, ex-assinante.
Ideias diferentes
Posted by Alisson Sellaro in Política on 8 de October de 2010
Há algum tempo atrás, numa conversinha de restaurante, passei por um momento extremamente chato, que ainda repercute, meses depois, na minha cabeça. O assunto era o quão complexo seria votar bem nas eleições deste ano para presidente, tamanho os problemas de ambos os principais candidatos.
Na conversa estavam apenas três pessoas: um casal, amigos de longa data, e eu. Os três jovens, ainda com alguns ideais não lapidados na cabeça, mas já com alguma carne amaciada por uma ou outra porrada sofrida por aí. Ele, médico, com uma criatividade questionadora à flor da pele. Ela, uma menina brilhante em meados de seu doutorado.
O incômodo da situação surgiu quando manifestei uma opinião de preocupação quanto a forma de governo do PSDB (questões sociais e de educação) ao mesmo tempo em que o PT vinha em uma frente positiva em vários aspectos, mas perigosa em relação à dívida pública e ao aparelhamento de modo ineficiente do Estado. Grande erro. Todas as paixões foram vomitadas na mesa do jantar…
Para encurtar uma história longa, fui, não tão gentilmente, desqualificado enquanto interlocutor. O que acabou por me jogar em um modo Roberto Jefferson de ser, quando acabei acusando a jovem amiga de arrogante e prepotente. Coisas de paixões políticas e egos feridos.
Passado um pouco de tempo (não o suficiente para cicatrizar todas as feridas, confesso), aguardo o segundo turno com a mesma angústia do tal jantar frustrado. Dilma e Serra se engalfinham no que deve entrar para história como a campanha mais baixa e vazia de proposta de toda a história do Brasil até agora.
Tem de tudo um pouco: repercussões incessantes da mídia em relação a aborto (como se, subitamente, fossemos ungidos pelo Vaticano a escolher o próximo papa, e não um presidente de um Estado dito laico), vídeos e tags no Twitter, demissão de colunista em jornais que ecoam aos quatro ventos estarem sob censura há não sei quantos dias, jornal que também reclama do viés autoritário e contra a liberdade de imprensa do governo, ao mesmo tempo em que tira site de paródia do ar argumentando uso indevido da marca…
No meio desta turbulência toda, dentro e fora da minha cabeça, eis que o Observatório da Imprensa repercute hoje um artigo do Eugênio Bucci com título de O Valor da Pluralidade. Artigo, aliás, publicado no tal jornal que demite colunista que ousa ter opinião diferente da linha editorial. Destaco os seguintes trechos:
Uma opinião que precisa silenciar outra para se afirmar corrói a si mesma. Já temos história suficiente para saber que o vício da intolerância não consegue apagar o intolerado – apenas desacredita o intolerante. É ele, não sua vítima, que perde autoridade.
De mais a mais, duas coisas extremamente positivas saem deste imbróglio. A primeira, como diria um outro amigo (coincidentemente jornalista): as eleições passam. As amizades deveriam ficar. A outra, que virou quase um amuleto, é uma piadinha interna nova: “não tenho leitura suficiente para isto” tudo.
Chutar cachorro atropelado
Posted by Alisson Sellaro in Leitura on 22 de June de 2010
Da crônica do Carlos Heitor Cony, hoje na Folha:
Aprendi com os meus maiores que não se deve chutar cachorro atropelado. E, mesmo que não tivessem ensinado regra tão elementar, acredito que por conta própria eu evitaria chutar não apenas os cachorros atropelados mas os caídos e vencídos na vida, pela simples e bastante razão de ser eu um deles.
A crônica é sobre futebol. Mas a aplicação é extensa.
Escrever para matar os maus espíritos
Posted by Alisson Sellaro in Leitura on 21 de June de 2010
Semana passada faleceu o Saramago. Um escritor tão mítico que nos faz morrer de rir com suas constatações que beiram o ridículo de tão óbvia. E, justamente por isso, geniais.
Quisera eu ter a paciência e a perseverança dos gênios, como Saramago. Deve ser uma boa sensação partir com a missão cumprida.
